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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

" SE AMAR É?

Esta rosa sangrando dentro do peito?
Este vendaval rugindo na alma?
Este dia a dia vivendo de joelhos?

Prefiro o vazio
desfolhado pétala a pétala
num qualquer girassól !

O Sol ou o frio de qualquer estação!

A emoção de cada momento!
sem direcção ou sentimento!

Se amar é este aprisionado tormento?

Eu quero mais, é gritar

LIBERDADE!

LIBERDADE!

sem a cruz nem o calvário
desta absurda saudade!

LuizaCaetano

"PEDRADA NO CHARCO"

Meu céu se consome na pedra
na exígua e dura pedra da incerteza
sempre esse pedrinha no caminho
ou no sapato
ou na estridência do silêncio
Procuro rente ao chão
uma folha entre a poeira e o tempo
apenas a pedra como marco
neste céu onde a Paz
se desfaz
pedrada no charco

LuizaCaetano

LISBOA-CIDADE DA MINHA VIDA""

Anda vem ver Lisboa
cidade do meu Outono
Vê como tombam as folhas
na Avenida da Liberdade.

Vamos até ao Rossio?
onde se passeia a vaidade
e os senhores se enamoram
das floristas e das flores.

Mas é nos Restauradores
que os barcos se avistam no Rio

e
no Chiado de Pessoa
onde a Bica é mais gostosa
ali mesmo na Brasileira

aquela mesa do exílio
do Kubitschek de Oliveira

Vamos até ao Bairro Alto
dos botequins, da boémia
e dos enamorados unisexo

um convite um ensejo
das mercenárias do sexo

É a calçada do amor
desenhada a emoções
das varinas e dos pregões

Mas é no Terreiro do Paço
que nos aguarda aquele abraço
naufragado em pleno Tejo

LuizaCaetano

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"V A Z I O"

Não tenho
eira nem beira
nem pézinho de figueira

Nem bengala
nem pau de cabeleira

Não tenho gestos
nem giestas
e as palavras
estão gastas
de tanto serem gritadas
aos quatro
ventos da vida

Sinto-me esquartejada
perdida e esvaziada
um cão sem dono
e sem norte
um barco à deriva
e sem velas
no espanto deste abandono

LuizaCaetano

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"AMOR DE CONTRABANDO"

Não sei para onde vou
nesta negação do tempo

Negoceio a vida com a vida
em apêlos de aventureira
ou de emigrante tardia

num amor de contrabando
em lampejos apunhalados
e beijos de lume brando

Enquanto,
os espelhos me devolvem
empíricas imagens
dum calendário vivido
lambido pelos silêncios
de um Verão quase esquecido

LuizaCaetano 2008/11

"VERÃO PASSADO"

São já os sinais
doutro Inverno anunciado
pela debandada das gaivotas.

Este ano,
Vai chegar
Cego!
Incestuoso!
Violento e açoitado.

Deserto?
está esse areal
aonde encosto meu rosto
tentando em vão escutar
sinais, rastos ou excrementos

das pedras do Verão passado.

LuizaCaetano2008/10/14