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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A criança e o cachorro

Timor Leste, crise, dólar aumentando, insegurança. Tudo de ruim.
Eu embevecido ao ver aquele carinho, o olho-no-olho, o entendimento mútuo, sem palavras.
Caras, Contigo, Playboy, Internet.
E a imagem do abraço sincero e o calor dos corpos roliços do menino e do cão.
Carros, motos, lanchas, iates, avião, ponte aérea.
E aquela corridinha faceira atrás do seu novo dono.
Sexo por sexo, drogas, festas rave.
E o amor incondicional entre dois seres que se respeitam e trocam aquilo que necessitam; o carinho e a atenção.
Profissionais picaretas, reis do “marketing”, provedores do supérfluo e da falsa competência escondida por máquinas que fazem de tudo.
E a honestidade de uma água limpinha e uma comida saborosa.
Quem dera o mundo olhasse um pouco mais pras crianças.
E eu pudesse ser de novo meu filho e o cachorro que ele conquistou no seu dia.

JB Alencastro

E a dor da morte???

Pietá Invertida”

Já é tarde da noite e rezo
Pois sei que você também não dorme
Já é tarde na vida e carrego
Pois sei que nem sempre é conforme

Não durmo porque perdi um amigo
Rezo porque sei que o buraco é imenso
E na vida que levamos tudo segue
Pois sei que nada pára para carregarmos

Mas também sei que seu pai nos meus braços
Que carreguei até o fim dos nossos sonhos
Foi-se faltando um pedaço
Mas deixou conosco o exemplo e tristonhos

Nós ficamos juntos abraçados
Se não temos mais pais para nos carregar
Levemos juntos na vida amigados
Em cada ombro a honra, a história e o pesar .

JB Alencastro

para a família Chaer
e em especial para Alberto Vilela Chaer
filho do grande Lauro Chaer

terça-feira, 18 de novembro de 2008

“Carinho de mãe”

Minha fronte tem óleo
Do dia apertado, das fuligens da vida
Meus cabelos estão desarrumados
De tanto pensar, das decisões tomadas

E você apenas passa de leve a mão
Deito-me em seu colo por cinco minutos
E não vejo os carinhos passarem
Só os dias cansativos e pessoas idem

Minha sobrancelha é tocada
Dos seus dedos prestimosos, desenhando
Aparando o suor que passou
Protegendo meus olhos do que já viu

E você insiste na minha sobrancelha
Colocando-a reta nas curvas que me enfio
E não olho mais nada, só um fundo azul
Lágrimas escorrem de puro repouso

Minha sobrancelha de fios decorados
Por sua preocupação constante
Por seu dedicar dedilhado
Aparando poeira do verde meu

Acordo e me sobra telha
Pois construí um castelo sólido
Encenado num amor materno
Que meus olhos vêem como eterno.

JB Alencastro