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Um riacho nos une, nos ata.
intangível perfume, tantos nós.
Correntezas, certezas, cascatas,
Cachoeiras, marés, sua foz.
Um ruído gemido se escuta.
Por querer explorar sua gruta.
Por querer conhecer suas matas
por querer escutar sua voz.
Em seus lábios, vulgares batons
de sabores estranhos, tão bons.
Tem cabelos revoltos e soltos,
E seus olhos são foscos faróis.
Sua mão, eu seguro, não largo,
porque bebo os temperos amargos
dos venenos mais tenros que causam
um final fulminante e veloz.
Se sou eu, ou você, tanto faz,
uma tóxica náusea , vertigem...
Somos nós sem origem nem fim
Fomos dois animais sempre sós.
Guilherme Belmont
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Bons dias
O melhor bom dia é o seu sorriso.
Traz a melodia do amanhecer.
E minha alegria é o seu suspiro,
pedaço do céu, gota de prazer.
Quando nossa carne arde, se mistura,
sempre é boa tarde, tarde gostosa.
Quando você parte no pôr-do-sol,
deixa seu suor, perfume de rosa.
Noites sem você são noites sem Lua,
tão frias, sombrias, tristes, vazias.
Estrelas no céu, estradas sem fim,
amanhã e depois são outros bons dias...
Traz a melodia do amanhecer.
E minha alegria é o seu suspiro,
pedaço do céu, gota de prazer.
Quando nossa carne arde, se mistura,
sempre é boa tarde, tarde gostosa.
Quando você parte no pôr-do-sol,
deixa seu suor, perfume de rosa.
Noites sem você são noites sem Lua,
tão frias, sombrias, tristes, vazias.
Estrelas no céu, estradas sem fim,
amanhã e depois são outros bons dias...
(no intituled)
Acordei com um gosto de sangue na boca.
Pesadelo talvez, outro sonho qualquer.
Minha cama sangrava, minha voz meio rouca.
Eu sonhei novamente, macabra mulher.
O seu nome? Não sei. Onde mora? Não sei.
Só me lembro do olhar. Tudo mais, desconheço.
Foi paixão, um desejo. Sofri, mas amei.
E sonhar outra vez com você não tem preço.
Outra noite, refúgio pra mim que desejo.
Vou dormir e sonhar. Fecho os olhos, deliro.
Devaneios são fugas. Viajo, lhe vejo.
Se sou louco, não sei. Por você, eu me inspiro.
Mas desperto, sou triste, me perco, me afasto.
Minha dor, este mundo; meu lar, mil torturas.
Só sobrou solidão, sentimento nefasto.
Mas meu sono, prazeres; meus sonhos, loucuras.
Pesadelo talvez, outro sonho qualquer.
Minha cama sangrava, minha voz meio rouca.
Eu sonhei novamente, macabra mulher.
O seu nome? Não sei. Onde mora? Não sei.
Só me lembro do olhar. Tudo mais, desconheço.
Foi paixão, um desejo. Sofri, mas amei.
E sonhar outra vez com você não tem preço.
Outra noite, refúgio pra mim que desejo.
Vou dormir e sonhar. Fecho os olhos, deliro.
Devaneios são fugas. Viajo, lhe vejo.
Se sou louco, não sei. Por você, eu me inspiro.
Mas desperto, sou triste, me perco, me afasto.
Minha dor, este mundo; meu lar, mil torturas.
Só sobrou solidão, sentimento nefasto.
Mas meu sono, prazeres; meus sonhos, loucuras.
um ghazal
Viver sem sonhar é suplício.
Um sonho sem fim são miragens.
Sonhar acordado, delírio;
A vida, estranhas passagens...
Poemas, palavras exatas
que trazem conforto e carinho.
Sigo sozinho em meus versos;
caminho por novas paragens.
Se vim percorrer horizontes,
achei meu destino distante.
Matei minha sede na chuva.
Em transe, mirei mil paisagens.
Num êxtase, sinto seu beijo
e, trêmulo, sou todo seu.
Na cama, no chão ou na água
me faz só querer sacanagens.
E tudo tem fim e termina;
O tempo, senhor implacável.
As horas se vão tão depressa;
viver, uma curta viagem...
Um sonho sem fim são miragens.
Sonhar acordado, delírio;
A vida, estranhas passagens...
Poemas, palavras exatas
que trazem conforto e carinho.
Sigo sozinho em meus versos;
caminho por novas paragens.
Se vim percorrer horizontes,
achei meu destino distante.
Matei minha sede na chuva.
Em transe, mirei mil paisagens.
Num êxtase, sinto seu beijo
e, trêmulo, sou todo seu.
Na cama, no chão ou na água
me faz só querer sacanagens.
E tudo tem fim e termina;
O tempo, senhor implacável.
As horas se vão tão depressa;
viver, uma curta viagem...
Fundo do mar
Mais um dia trancado no quarto...
O meu tempo, eu gasto relendo
velhos livros perdidos na estante.
Das leituras, porém, estou farto.
Os mistérios do amor? Não entendo...
Felicidade? É só um instante...
Compreendo as razões desta dor
de estar só, viver só, nada mais.
Sinto falta de beijos sinceros.
Mas então me restou um dissabor
das lembranças deixadas pra trás
por trazer sofrimentos severos.
Hoje resta-me o quê? Ilusão?
Bebo vinho se estou sedento;
Fecho os olhos se quero sonhar.
Mas, se sofro dos males da paixão,
é você neste meu pensamento,
e meu corpo no fundo do mar...
O meu tempo, eu gasto relendo
velhos livros perdidos na estante.
Das leituras, porém, estou farto.
Os mistérios do amor? Não entendo...
Felicidade? É só um instante...
Compreendo as razões desta dor
de estar só, viver só, nada mais.
Sinto falta de beijos sinceros.
Mas então me restou um dissabor
das lembranças deixadas pra trás
por trazer sofrimentos severos.
Hoje resta-me o quê? Ilusão?
Bebo vinho se estou sedento;
Fecho os olhos se quero sonhar.
Mas, se sofro dos males da paixão,
é você neste meu pensamento,
e meu corpo no fundo do mar...
Vale nada
Meu amor não vale nada;
é uma página virada,
amassada, rasgada e queimada
que ninguém quis ler.
É uma piada sem graça,
minha própria desgraça,
um brinquedo quebrado no meio da praça
onde uma criança veio a falecer.
Está perdido em algum lugar;
no fundo do mar
ou na mesa dum bar
onde só eu vou beber.
Meu amor é carente
E, quando diz que não sente,
Mente descaradamente
Que não doeu lhe perder.
é uma página virada,
amassada, rasgada e queimada
que ninguém quis ler.
É uma piada sem graça,
minha própria desgraça,
um brinquedo quebrado no meio da praça
onde uma criança veio a falecer.
Está perdido em algum lugar;
no fundo do mar
ou na mesa dum bar
onde só eu vou beber.
Meu amor é carente
E, quando diz que não sente,
Mente descaradamente
Que não doeu lhe perder.
Esqueça
Sei que vivemos de lembranças,
mas tudo acaba, tudo passa.
Se nós crescemos, fomos crianças;
o tempo traz nossa desgraça.
Jamais reconte, nem reaqueça,
Não lembre mais da triste história.
Por isso, peço que me esqueça;
não viva mais esta memória.
Peço que apague meus recados;
não vá guardar nada de mim
_dias que não serão lembrados,
pois tudo some, morre enfim...
mas tudo acaba, tudo passa.
Se nós crescemos, fomos crianças;
o tempo traz nossa desgraça.
Jamais reconte, nem reaqueça,
Não lembre mais da triste história.
Por isso, peço que me esqueça;
não viva mais esta memória.
Peço que apague meus recados;
não vá guardar nada de mim
_dias que não serão lembrados,
pois tudo some, morre enfim...
Miseráveis
Pivetes, prostitutas e mendigos
são três crias da miséria urbana.
Nossos olhos só os vêem como inimigos;
quem diz não ter culpa se engana.
Os primeiros são rebentos bastardos,
o subproduto da humanidade.
Entre eles, há brancos, negros e pardos
_todos ainda na flor da idade.
As outras vendem um mísero amor,
algo que elas muito pouco tiveram,
e não sentem o mínimo sabor
na função que suas vidas lhe deram.
Aqueles que vivem da mendicância,
cuja visão nos provoca ojeriza,
talvez sofram desde a tenra infância
uma dor que só a esmola ameniza.
Seus destinos são geralmente incertos;
para eles. seus corpos são cárceres.
Só ficarão finalmente libertos
quando a morte os transformar em cadáveres.
são três crias da miséria urbana.
Nossos olhos só os vêem como inimigos;
quem diz não ter culpa se engana.
Os primeiros são rebentos bastardos,
o subproduto da humanidade.
Entre eles, há brancos, negros e pardos
_todos ainda na flor da idade.
As outras vendem um mísero amor,
algo que elas muito pouco tiveram,
e não sentem o mínimo sabor
na função que suas vidas lhe deram.
Aqueles que vivem da mendicância,
cuja visão nos provoca ojeriza,
talvez sofram desde a tenra infância
uma dor que só a esmola ameniza.
Seus destinos são geralmente incertos;
para eles. seus corpos são cárceres.
Só ficarão finalmente libertos
quando a morte os transformar em cadáveres.
(no intituled)
Conheça a paixão, uma estranha chama.
Em seu coração, maléfica trama.
conheça o desejo, um relampejo
que sempre termina fulgaz na cama.
Mas jamais esqueça a sua vontade,
ímpia cortesã de cuja má fama
qualquer homem guarda certo temor
pois tolos, por ela, chafurdam na lama.
Tornam-se imbecis, viram animais.
Regridem a bestas que comem grama.
Mas também sou vítima, eu bem sei,
pois me entrego fácil, formosa dama.
Sou avassalado, escravizado.
Bela servidão: eu sirvo a quem me ama...
Em seu coração, maléfica trama.
conheça o desejo, um relampejo
que sempre termina fulgaz na cama.
Mas jamais esqueça a sua vontade,
ímpia cortesã de cuja má fama
qualquer homem guarda certo temor
pois tolos, por ela, chafurdam na lama.
Tornam-se imbecis, viram animais.
Regridem a bestas que comem grama.
Mas também sou vítima, eu bem sei,
pois me entrego fácil, formosa dama.
Sou avassalado, escravizado.
Bela servidão: eu sirvo a quem me ama...
(no intituled)
Hoje rezei, falei Contigo.
Rezei aos céus, pedi um amigo.
Na solidão, vou encontrar,
dentro do bar, cevada e trigo.
Nada mais peço, eu confesso.
e, se estou só, eu nem mais ligo.
Uma caneca e outra mais,
estou mais calmo, já nem mais brigo.
E, no meu canto, vou brindar.
Se encontro a paz; a paz, eu sigo.
Se quero mais, nada mais fiz.
Eu que não quis nenhum amigo...
Rezei aos céus, pedi um amigo.
Na solidão, vou encontrar,
dentro do bar, cevada e trigo.
Nada mais peço, eu confesso.
e, se estou só, eu nem mais ligo.
Uma caneca e outra mais,
estou mais calmo, já nem mais brigo.
E, no meu canto, vou brindar.
Se encontro a paz; a paz, eu sigo.
Se quero mais, nada mais fiz.
Eu que não quis nenhum amigo...
Suspiro
Nesta noite, deitado num mármore
mais gelado que meu coração,
eu lembrei, bem debaixo duma árvore,
que você segurou a minha mão.
Nesta noite, olhando pro céu,
Eis que a Lua, mudando de fases,
indicou: comerei pão com mel
e terei, nesse corpo, meu oásis.
Onde são seus cabelos mais crespos?
Seu suor muito mais refrescante?
Cada gota, sabores mais frescos;
logo então nos tornamos amantes.
Nunca tento entender, sei de nada,
e por que, ofegante, transpiro?
Só lhe quero mulher, minha amada.
Vem, me beija, me traz um suspiro...
mais gelado que meu coração,
eu lembrei, bem debaixo duma árvore,
que você segurou a minha mão.
Nesta noite, olhando pro céu,
Eis que a Lua, mudando de fases,
indicou: comerei pão com mel
e terei, nesse corpo, meu oásis.
Onde são seus cabelos mais crespos?
Seu suor muito mais refrescante?
Cada gota, sabores mais frescos;
logo então nos tornamos amantes.
Nunca tento entender, sei de nada,
e por que, ofegante, transpiro?
Só lhe quero mulher, minha amada.
Vem, me beija, me traz um suspiro...
Ojeriza
Vivo entre estas sórdidas criaturas
desde o momento do meu nascimento.
O que sinto por elas é a mistura
de dois antagônicos sentimentos:
ora é só compaixão e pena;
ora (sinto repulsa só em pensar)
tenho uma ojeriza que me envenena
sem, no entanto, conseguir me matar.
Para eles , a soberba é vital,
e veneram os deuses da opulência
moldados num círculo de metal
onde a fé é asquerosa na essência.
Pra mim, são uma corja de imbecis,
sejam ricos ou miseráveis.
Chamam de cidades os seus canis
e de prazeroso, os bens rentáveis.
Basta olhar para esta raça besta,
autodenominada raça humana,
Para entender sua sina funesta
de buscar uma alegria mundana.
Mas, ao descrever tudo isto agora,
rezo que minha caneta não minta
ao dizer que, como os monstros de outrora,
a humanidade também será extinta.
desde o momento do meu nascimento.
O que sinto por elas é a mistura
de dois antagônicos sentimentos:
ora é só compaixão e pena;
ora (sinto repulsa só em pensar)
tenho uma ojeriza que me envenena
sem, no entanto, conseguir me matar.
Para eles , a soberba é vital,
e veneram os deuses da opulência
moldados num círculo de metal
onde a fé é asquerosa na essência.
Pra mim, são uma corja de imbecis,
sejam ricos ou miseráveis.
Chamam de cidades os seus canis
e de prazeroso, os bens rentáveis.
Basta olhar para esta raça besta,
autodenominada raça humana,
Para entender sua sina funesta
de buscar uma alegria mundana.
Mas, ao descrever tudo isto agora,
rezo que minha caneta não minta
ao dizer que, como os monstros de outrora,
a humanidade também será extinta.
Final trágico
Dentro de mim, há uma lacuna, um vazio.
Falta-me paz no coração. Nem mais sorrio.
Fora de mim, as minhas mãos buscam as suas.
São como gotas que, do céu, lavando as ruas,
se tornam lágrimas.
O meu caminho, você sabe, não tem fim.
E peregrinos se perderam donde vim
bebendo vinho ou em pecado, eu não sei.
Eis meu convite: vem andar por onde eu andei
_ rotas de lástimas.
Rotas sem volta, vou seguir caravanas.
E vou vagar, correr, fugir pelas savanas.
Irei buscar, achar você desconhecida
magia, única razão da minha vida,
doce alegria.
Se sou feliz, felicidade passageira,
esse momento, vou guardar a noite inteira
até dormir, pois vou sonhar insatisfeito
com um sabor de quero mais dentro do peito
que fantasia...
É fantasia, devaneio, sonho louco!
São tantas coisas! É querer tanto e tão pouco!
Estou confuso, delirante, perdi o rumo.
Mas, assim mesmo, obtenho o supra-sumo
dum prazer sádico.
Se desconheço, são os desígneos divinos.
Ignorante das certezas dos destinos,
de cujos signos jamais vou me lembrar,
leio os meus versos, que eu sei, vão acabar
num final trágico.
Falta-me paz no coração. Nem mais sorrio.
Fora de mim, as minhas mãos buscam as suas.
São como gotas que, do céu, lavando as ruas,
se tornam lágrimas.
O meu caminho, você sabe, não tem fim.
E peregrinos se perderam donde vim
bebendo vinho ou em pecado, eu não sei.
Eis meu convite: vem andar por onde eu andei
_ rotas de lástimas.
Rotas sem volta, vou seguir caravanas.
E vou vagar, correr, fugir pelas savanas.
Irei buscar, achar você desconhecida
magia, única razão da minha vida,
doce alegria.
Se sou feliz, felicidade passageira,
esse momento, vou guardar a noite inteira
até dormir, pois vou sonhar insatisfeito
com um sabor de quero mais dentro do peito
que fantasia...
É fantasia, devaneio, sonho louco!
São tantas coisas! É querer tanto e tão pouco!
Estou confuso, delirante, perdi o rumo.
Mas, assim mesmo, obtenho o supra-sumo
dum prazer sádico.
Se desconheço, são os desígneos divinos.
Ignorante das certezas dos destinos,
de cujos signos jamais vou me lembrar,
leio os meus versos, que eu sei, vão acabar
num final trágico.
?
Algo estimula meu raciocínio,
mas que não é nenhum problema.
Tem sua beleza e seu fascínio.
Decifra-lo é mais q um dilema.
É uma perigosa aventura,
porém tudo me fala”Não tema!”.
Tentar não me parece loucura.
Falhar feriria meu orgulho,
mas fugir causa mais amargura.
E, como caindo dum mergulho,
eu sinto um vazio na barriga
idêntico à lombra do bagulho.
Esse estranho mistério me intriga.
Peço que responda quem souber.
Mas ninguém sabe, então me diga,
se conclusões certas não houver,
sempre serei um pobre mortal
a enamorar-se por uma mulher?
Essa questão não é fundamental,
porque remete somente a mim.
Questiono além do normal,
pois, todos os momentos, sem fim,
reflito distante da razão
se, de fato, tudo é assim.
Há solução? Não há solução?
Diga-me por que em cada pergunta
há sempre um ponto de interrogação?
mas que não é nenhum problema.
Tem sua beleza e seu fascínio.
Decifra-lo é mais q um dilema.
É uma perigosa aventura,
porém tudo me fala”Não tema!”.
Tentar não me parece loucura.
Falhar feriria meu orgulho,
mas fugir causa mais amargura.
E, como caindo dum mergulho,
eu sinto um vazio na barriga
idêntico à lombra do bagulho.
Esse estranho mistério me intriga.
Peço que responda quem souber.
Mas ninguém sabe, então me diga,
se conclusões certas não houver,
sempre serei um pobre mortal
a enamorar-se por uma mulher?
Essa questão não é fundamental,
porque remete somente a mim.
Questiono além do normal,
pois, todos os momentos, sem fim,
reflito distante da razão
se, de fato, tudo é assim.
Há solução? Não há solução?
Diga-me por que em cada pergunta
há sempre um ponto de interrogação?
Peixe bebum
Foi na alcova, onde a carne se inquieta,
que murmurei aqueles toscos versos.
Você me beijou; sussurrou “meu poeta”,
e, num êxtase, ficamos imersos
por um tempo infinito.
Quedei pela beleza do seu rosto;
Eu fui levado à miséria e à ruína.
Sozinho, chorei como um rei deposto,
um maldito que completa sua sina
sem dar, se quer, um grito.
Sei; é saudade!dizem que isso passa.
Mas não passou; sinto muito sua falta.
Eu, pobre homem; você, mulher devassa
_casal cujo desejo sobressalta
hábitos imorais.
Porém, nesta noite, mais uma vez,
em seus lábios matarei minha sede.
E, já saciado por esta embriaguez,
como um peixe bebum que jaz na rede,
morro querendo mais.
que murmurei aqueles toscos versos.
Você me beijou; sussurrou “meu poeta”,
e, num êxtase, ficamos imersos
por um tempo infinito.
Quedei pela beleza do seu rosto;
Eu fui levado à miséria e à ruína.
Sozinho, chorei como um rei deposto,
um maldito que completa sua sina
sem dar, se quer, um grito.
Sei; é saudade!dizem que isso passa.
Mas não passou; sinto muito sua falta.
Eu, pobre homem; você, mulher devassa
_casal cujo desejo sobressalta
hábitos imorais.
Porém, nesta noite, mais uma vez,
em seus lábios matarei minha sede.
E, já saciado por esta embriaguez,
como um peixe bebum que jaz na rede,
morro querendo mais.
Febre
Há um estado febril; muitos chamam de amor.
No começo, se sente em total euforia,
um misto de delírio, êxtase, torpor,
febre quente, insônia, suor, letargia.
Mas, se a febre tem fim, eis que o amor não tem cura.
Padece o coração. Cedo, o corpo definha.
Fica a dor, o desgosto; há tanta amargura,
somente a ilusão de que nada se tinha.
Sem apetite, magro e fraco, nada come.
sem sorrir, ele, de olhos secos, nem mais chora.
E pálido, anêmico, morre de fome.
Sua alma some, segue em frente, vai embora.
Pobre do homem que amou demasiadamente!
Rezo pelo funesto ser que agora jaz,
pois sofreu, foi servil, ingênuo e inocente,
e seu erro fatídico: amou de mais...
No começo, se sente em total euforia,
um misto de delírio, êxtase, torpor,
febre quente, insônia, suor, letargia.
Mas, se a febre tem fim, eis que o amor não tem cura.
Padece o coração. Cedo, o corpo definha.
Fica a dor, o desgosto; há tanta amargura,
somente a ilusão de que nada se tinha.
Sem apetite, magro e fraco, nada come.
sem sorrir, ele, de olhos secos, nem mais chora.
E pálido, anêmico, morre de fome.
Sua alma some, segue em frente, vai embora.
Pobre do homem que amou demasiadamente!
Rezo pelo funesto ser que agora jaz,
pois sofreu, foi servil, ingênuo e inocente,
e seu erro fatídico: amou de mais...
Fornicações
Às vezes, por um sentimento perverso,
a minha mente é tomada.
Então, se torna maior que o universo
essa idéia que vem do nada.
Indefeso tal qual um réu confesso
invento logo uma desculpa.
Porém , bem sei que tenho culpa
e uma nova chance é o que lhe peço.
Aí meus olhos teimam em fitá-la!
Quero dar-lhe um beijo na boca,
usando minha língua louca,
para dizer-lhe o que a boca não fala.
Ouça se, de fato, quiser
pois, por mais que eu tente, jamais consiga
olhar uma bela mulher
desejando-a somente como amiga.
a minha mente é tomada.
Então, se torna maior que o universo
essa idéia que vem do nada.
Indefeso tal qual um réu confesso
invento logo uma desculpa.
Porém , bem sei que tenho culpa
e uma nova chance é o que lhe peço.
Aí meus olhos teimam em fitá-la!
Quero dar-lhe um beijo na boca,
usando minha língua louca,
para dizer-lhe o que a boca não fala.
Ouça se, de fato, quiser
pois, por mais que eu tente, jamais consiga
olhar uma bela mulher
desejando-a somente como amiga.
Beleza
Beleza feminina, licor delirante que eu adoro beber.
Embriagado, deixo a mente ir distante, um favor ao prazer.
É sobrenatural o desejo que desperta na mente dos ingênuos.
Mistura o bem e o mal por veredas incertas de lugares serenos.
Nem tudo na beleza, porém, é idílio; seu sabor nos vicia.
Vem e apaga as lembranças dos anos de exílio tristes, sem alegria.
Traz desgraças, aparta marido e mulher.
Joga pai contra filho,irmão contra irmão.
Nem amigos sequer vem lhes poupar o delírio
que brota dum rosto bonito e faz escapar a razão...
Embriagado, deixo a mente ir distante, um favor ao prazer.
É sobrenatural o desejo que desperta na mente dos ingênuos.
Mistura o bem e o mal por veredas incertas de lugares serenos.
Nem tudo na beleza, porém, é idílio; seu sabor nos vicia.
Vem e apaga as lembranças dos anos de exílio tristes, sem alegria.
Traz desgraças, aparta marido e mulher.
Joga pai contra filho,irmão contra irmão.
Nem amigos sequer vem lhes poupar o delírio
que brota dum rosto bonito e faz escapar a razão...
nunca mais...
Mais um dia, eu sei, se perdeu,
e esta noite atravessei um deserto.
Fui sozinho, o nada e mais eu,
num caminho de fim tão incerto.
Mais um dia se foi sem lembranças.
Passou rápido, triste e maçante.
Em seus nós, suas tramas e tranças,
o destino durou só um instante.
Hoje, restam-me páginas pálidas,
um caderno de folhas em branco.
As memórias não são fotos cálidas;
são feridas, ruim desencanto.
Aprendi, vou viver o presente,
sem lamentos, nem choros ou lástimas.
A tristeza faz o homem doente.
Nunca mais vou verter minhas lágrimas.
Nunca mais...
e esta noite atravessei um deserto.
Fui sozinho, o nada e mais eu,
num caminho de fim tão incerto.
Mais um dia se foi sem lembranças.
Passou rápido, triste e maçante.
Em seus nós, suas tramas e tranças,
o destino durou só um instante.
Hoje, restam-me páginas pálidas,
um caderno de folhas em branco.
As memórias não são fotos cálidas;
são feridas, ruim desencanto.
Aprendi, vou viver o presente,
sem lamentos, nem choros ou lástimas.
A tristeza faz o homem doente.
Nunca mais vou verter minhas lágrimas.
Nunca mais...
Nada
Neste poema, não vou falar do amor,
nem da saudade, nem da angústia que tenho.
Nada a dizer, nada de novo pra por,
nem pra falar da cidade donde venho.
Não cantarei o belo brilho da Lua,
nem das estrelas, nem do Sol, nem de Vênus.
Não haverá versos mal cantados na ruas,
sem sentimentos, nem mesmo os mais plenos
Nada direi sobre o aroma das rosas,
nenhuma frase, nem palavras em vão,
nem da beleza das mulheres gostosas.
Nego também qualquer ardente paixão.
Este poema, meu tão caro colega,
o que dizer desta obra mal acabada?
Nega e renega, mas no final se entrega
que eu, simplesmente, nunca quis dizer nada.
nem da saudade, nem da angústia que tenho.
Nada a dizer, nada de novo pra por,
nem pra falar da cidade donde venho.
Não cantarei o belo brilho da Lua,
nem das estrelas, nem do Sol, nem de Vênus.
Não haverá versos mal cantados na ruas,
sem sentimentos, nem mesmo os mais plenos
Nada direi sobre o aroma das rosas,
nenhuma frase, nem palavras em vão,
nem da beleza das mulheres gostosas.
Nego também qualquer ardente paixão.
Este poema, meu tão caro colega,
o que dizer desta obra mal acabada?
Nega e renega, mas no final se entrega
que eu, simplesmente, nunca quis dizer nada.
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